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Você provavelmente conhece alguém que já fez isso, ou até mesmo já passou por essa experiência: durante uma viagem ao exterior, seja com amigos ou familiares, tirar fotos usando o transporte público, especialmente o metrô.
É divertido sentir o movimento do trem, observar as pessoas apertadas nos vagões lotados e estar atento para não perder a estação de destino. Até mesmo a sujeira nas plataformas se torna um detalhe curioso. Lembro de uma vez em Nova York, quando brinquei com minha filha pequena, dizendo: “Vamos procurar ratinhos nos trilhos?”. E, para nossa surpresa, logo avistamos uma enorme ratazana acinzentada correndo rapidamente pelos trilhos em direção ao Central Park.
Durante as férias, tudo parece mais leve e divertido. Ficamos fascinados com o sistema de transporte, que em algumas cidades existe há mais de um século, e notamos como, em suas viagens diárias, os moradores das grandes metrópoles são todos iguais, independentemente de sua classe social. O rico e o pobre se encontram nos metrôs de Londres, Paris ou Tóquio.
Mas, ao final das férias, voltamos à nossa realidade: o reencontro com nosso carro na garagem. As fotos que tiramos, muitas delas compartilhadas orgulhosamente nas redes sociais, se tornam recordações de um momento em que experimentamos a cidade ideal, onde um bom sistema de transporte facilita a vida dos moradores e torna tudo mais agradável.
Por que estamos tão distantes dessa realidade aqui no Brasil?
É verdade que começamos tarde a construir nossos sistemas de metrô. O de São Paulo foi inaugurado em 1974 e o do Rio em 1979. A expansão das linhas em cidades densamente povoadas é um desafio. Por isso, não critico quem opta por não usar o metrô. A falta de estações em todos os bairros, a dificuldade de entrar em um vagão durante os horários de pico e os atrasos são fatores que desestimulam o uso.
Talvez por isso, muitas pessoas não cobrem as medidas necessárias para melhorar a qualidade do transporte público. Se não utilizamos, não conhecemos o estado do serviço e não pensamos em como aprimorá-lo. Isso é lamentável. Um exemplo é a Linha 17 – Ouro em São Paulo, prevista para 2026. Esse monotrilho deve conectar o aeroporto de Congonhas ao sistema de metrô da cidade, mas sua entrega, que deveria ter ocorrido em 2014, ainda está pendente.
Uma rápida consulta ao Portal da Transparência do Metrô revela dados impressionantes. Quando a Linha 17 estiver em operação, haverá uma redução de 226 toneladas de poluentes por ano, resultando em uma economia de R$ 1,32 milhões; uma diminuição de 25.711 toneladas de gases de efeito estufa, com uma economia de R$ 7,62 milhões; e uma redução no consumo de combustível de 11,7 milhões de litros por ano, equivalente a uma economia de R$ 55,17 milhões.
O transporte sobre trilhos é uma solução eficaz para despoluir nossas cidades. E pensar que poderíamos ter colhido esses benefícios desde 2014! Doze anos com ar mais poluído, menos saúde e um pedaço da cidade transformado em um canteiro de obras, com um ritmo de “para e anda”, além dos gastos que esse atraso gera. Circulamos (de carro) ao lado desse monumento ao desperdício e muitas vezes não nos indignamos.
No Rio, acreditávamos que os Jogos de 2016 seriam uma oportunidade para a ampliação do metrô até a Barra da Tijuca. O que os cariocas receberam, no entanto, foi um sistema de ônibus BRT, com faixas exclusivas e plataformas que funcionam como estações. Embora poluam menos do que os ônibus comuns e retirem muitos carros das ruas, ainda estão longe do que poderíamos ter alcançado se, durante os seis anos de preparação para os Jogos, tivéssemos investido na construção de trilhos.
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